sábado, 29 de dezembro de 2012

O MAIS LINDO PÔR-DO-SOL

   Nós dois eramos amigos de infância. Naquela época passávamos o dia inteiro brincando e entre nónão havia nenhum segredo.
   Raquel, minha amiga, começou a namorar Ricardo. Eu o achava um sujeito um tanto estranho, meio possessivo e controlador. Mas não podia fazer nada, não seria certo me intrometer no romance dos dois.
   Foi nessa época que descobri que amava Raquel. Vê-la com outro cara fazia com que meu coração doesse. E aquela não era uma dor de amigo, ah, não. Achei que seria uma boa ideia guardar segredo sobre isso, mas sempre que Raquel me olhava com aqueles profundos olhos verdes, eu começava a imaginar como seríamos juntos.
   Para tentar esquecer, arrumei uma namorada. Uma colega de faculdade que parecia mesmo gostar de mim. No início foi legal, eu estava realmente gostando; mas recentemente passei a me sentir meio sufocado com a nossa relação. Por isso, decidi pôr um fim ao nosso namoro.
   Enquanto estava sozinho, lembrei-me de Raquel e de como era agradável a sua companhia. Resolvi então visitá-la. Minha amiga me recebeu muito bem, e passamos um longo tempo conversando. Fiquei sabendo que ela tinha terminado com Ricardo e que agora estava namorando outro homem. Rico, segundo ela.
   Voltamos a manter contato. Eu sempre a visitava e vice-versa. Durante esse tempo, meu amor por ela foi voltando com mais força. 
   Certo dia, Raquel me contou que Ricardo a tinha convidado para um último encontro, e que ela resolvera ir.
   Naquele dia, quando vi Raquel saindo de casa para tal encontro, eu a segui. Estava agindo simplesmente por medo. Medo de que Ricardo pudesse lhe fazer algum mal. Cheguei no instante em que os dois estavam entrando em um cemitério, aparentemente abandonado. Foram andando pela longa alameda banhada de sol. Os passos de ambos eram como punhais em meu peito. Indignada, mas obediente, ela se deixava conduzir como uma criança. Eu não entrei, porque achei que seria arriscado. E se fosse descoberto, e Ricardo achasse que Raquel tinha me chamado? Fiquei cuidadosamente escondido atrás de uma árvore.
   Depois de um tempo, Ricardo saiu do cemitério. Trazia no rosto um sorriso de triunfo bastante suspeito. Raquel não estava com ele. Muito preocupado, com o coração quase saindo pela boca, entrei para procurá-la. O que teria acontecido?
   Caminhei bastante, vendo apenas túmulos e mais túmulos. Aquele lugar era realmente grande. Então eu vi algumas marcas na terra, deveriam ser pegadas. Passei a segui-las, e de longe avistei uma capelinha coberta por trepadeiras selvagens. Fui em direção a ela, e a medida que me aproximava comecei a ouvir gritos baixinhos e inquietos que pareciam ser de Raquel. Abri a porta da capela e levei um susto: lá estava ela, presa em um estreito retângulo cinzento. Sentada, encolhida no cantinho da monstruosa sala fria e suja. Uma grande aflição tomou meu coração ao vê-la naquele estado.
   Não tinha chave, e estava trancado. Mas usei toda a minha força e vontade de ver minha amada bem para abrir aquela portinha que a mantinha presa. Não foi fácil mas consegui. Abracei Raquel e a levei para respirar um ar puro.
   - Mateus, o que você está fazendo aqui? - sua voz era fraca.
   - Eu vim te salvar, Raquel - respondi em tom igualmente baixo.
   - Isso eu percebi. Mas como soube? Quer dizer, esse cemitério está abandonado!
   - Eu te segui até aqui - disse, sentando-a sob a sombra de uma árvore, ela não estava em condições de andar.
   - Por que fez isso? - ela perguntou, olhando pra mim com aqueles olhos verdes tão bonitos.
   - Eu nunca confiei no Ricardo, e quando você me falou que ele queria te encontrar... Fiquei muito desconfiado. Se não acontecesse nada aqui, eu iria embora tranquilo. Mas ele saiu e você não estava junto...
   - Ah, que lindo Mateus! - exclamou sorrindo.
   - Raquel... - hesitei um instante, mas se fosse falar teria que ser naquele momento. Que oportunidade melhor eu teria? - Eu te amo.
   Ela ficou em silêncio, e depois disse:
   - Pra falar a verdade, eu também te amo. Há muito tempo.
   Essa informação realmente me chocou.
   - E por que nunca me disse isso?
   - Não sei... Acho que foi por vergonha, por medo de perder sua amizade. - Raquel parou para respirar fundo, parecia mais fraca. - Mateus, algo me picou lá dentro da capela, e eu estou perdendo as forças...
   Cansado de tanta espera, tomado pela felicidade, e com receio do futuro, eu a beijei. 
   - Agora sinto que posso morrer em paz.
   Essas foram as últimas palavras de minha amada. Ela se aconchegou em meus braços e fechou os olhos, para sempre.
   Não pude deixar de notar que naquele momento o sol estava se pondo. E aquele foi o pôr-do-sol mais lindo de todos.






domingo, 23 de dezembro de 2012

O bandido, a Pitchula e os sete copos

 Um dia normal, como todos os outros, até então. Eu havia acabado de sair mais cedo da aula de Matemática e estava sentada em um banco com minha amiga Lívia. Estávamos conversando tranquilamente, mas, chega a Meirielle com uma notícia assustadora:
 - Tem um bandido no colégio!
 Fiquei apavorada e a Lívia ficou mais branca do que já é.
 - Como você sabe?
 - Quando eu saí da sala de aula, eu vi uns policiais e resolvi perguntar pro guardinha que tava ali perto. Ele falou que tinha um bandido no colégio e os policiais estavam procurando.
 - Vou me esconder no banheiro!
 - Ele pode estar lá.
 - É mesmo ...
 - Ah fica calma, não vai acontecer nada.
 Mudamos de assunto. Os seres do abismo - Angelo, Augusto, Allysson e Elias - chegam e fazem o convite:
 - Vamos tomar Pitchula?
 - Hãn? Pitchula?
 - É, a gente pede uma Pitchula e sete copos! - risos da parte deles.
 Ficamos sem entender, mas fomos. Quando chegamos na lanchonete entendi a intenção, mas fiquei quieta. O Angelo foi pedir:
 - Tia, me dá uma Pitchula e... - vira-se, finge que está contando, volta-se para a tia e dispara - sete copos!
 Ele não aguentou e começou a rir - na hora eu também não consegui me conter. A tia perguntou:
 - Você tá brincando comigo né?
 - Não, eu quero uma Pitchula e sete copos!
 Ele veio com os copos, mas teve de pagar por eles. Colocou-os lado-a-lado e repartiu aquele líquido gelado,marrom e cheio de gás. Não deu nem dois dedos pra cada um, mas valeu a pena. Vou me lembrar desse dia que eu ver uma Pitchula - ou um bandido.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Túnel

Não perturbes o silêncio confortador daquela alma
Não faças mais perguntas
Sabes que isto será vergonhoso para ti
Porque insistir?
Ignora as tuas vontades
Apaga esta luz de teus olhos
E segue em frente.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

A little story

She woke up in the middle of the night, surprised and scared by a nightmare. Looks around and there's nothing, no one who can help her, hold her to make this pain disappear.
All she have is herself, her only company is the characters of the books she bought with her almost slave work.
It could be sad if she doesn't had a house with TV. 
She walks to the kitchen, catches a huge pack of chips and goes watching cartoon.
- Goodnight bed, i'm going to sleep in the sofa.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Drive thru

Porque tudo tão cinza? É tão monótono, lembra tristeza e tédio.
As férias estão aí, é tempo de se divertir com os amigos, aproveitar com a família.
E isso não combina com chuva e ficar em casa.
 - Eu quero céu azul,
   quero sentir o sol aquecendo minha pele
   quero areia, mar, protetor solar
   quero picolé e água de coco.
- Mais alguma coisa?
- Eu quero rosa, verde, laranja,
  quero o arco-íris só pra mim.
  Tudo empacotado pra viagem, por favor.




O milagre? da vida.

Como um buraco negro isso te suga e te esvazia
E ao mesmo tempo te faz inchar, transbordar de pensamentos pobres.
Sua vontade de dançar se reverte em resignação à dormir
Sua paixão pela música voa pela janela e se mistura com a chuva que cai lenta.
Não quer mais salvar o mundo
Ou conquistar grandes feitos
Não deseja mais seu nome entre os melhores
Quer apenas sobreviver.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Sem palavras

Tantos espaços em branco
Oportunidades perdidas
Lembranças que fogem

E no fim você esquece
O que escreve
Como se escreve

As folhas tornam-se grandes demais
As linhas se mostram infinitas
Quando não há sobre o que falar

Parece não haver palavras que descrevam a ausência de emoção
A total decepção
A incrível falta de alegria

Então não resta nada além de se calar.

Visão

Meus olhos se extasiaram
Minha mente se encheu
Do vazio.
Uma possibilidade me vem à cabeça
Amanhã, descarto-a.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Ass: eu.

O relato a seguir é uma página de um diário sem nome ou identificação. Não reconheço o fato como sendo verdade ou inverdade e qualquer semelhança com a realidade é mero acaso.

Acordo com um soco em meu braço esquerdo. Meu marido deve ter tido outro pesadelo. Levanto-me e dou uns passos ainda com os olhos entreabertos até o banheiro. Lavo meu rosto e encaro a face no espelho: seu dia será difícil. Na cozinha um adolescente engole cereal com leite.
 - Bom dia mãe.
 - Bom dia.
 Meu café está amargo demais para encarar, largo a xícara na pia e vou me arrumar. É difícil escolher, minhas roupas não me agradam mais, assim como meus sapatos, minhas bolsas, meus óculos ... No fim pego qualquer coisa na sorte, não tenho muito tempo.
 Entro no carro quando faltavam exatos 13 minutos para o começo do meu expediente. Alguns metros já distante de casa quase atropelo uma menina que atravessava a rua distraidamente. O retrovisor me lembra: eu disse que seria difícil.
 Encontro meu chefe no elevador da empresa, que me saúda com uma de suas piadinhas machistas e generalizadas. Me esforço para disfarçar a raiva.
 Depois de um dia de trabalho com inúmeros contratempos, um almoço às pressas e uma ida de última hora à farmácia, finalmente estou em casa e o que mais quero agora é um banho gelado. Abro a porta, avanço uns passos, e logo percebo que estou sozinha - ufa.
 Às 2:46 meu marido chega, completamente bêbado e quebrando quase tudo por onde passava.
 - Já é a quarta vez essa semana. Cria vergonha na cara seu imprestável! Isso é exemplo que se dê pro seu filho?!
 - Não começa ô chiliquenta.
 Minha paciência se esgota completamente.
 - Chiliquenta é o caramba! Você que é um vagabundo, vive às minhas custas! Cansei de sustentar marmanjo!
 Ele vem em minha direção com algo na mão, que não consigo distinguir, mas parece uma faca. No móvel à minha esquerda tem uma estátua e não penso duas vezes antes de atingí-lo. Observo-o expirar: de um problema me livrei, mas ainda existem tantos outros ... 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Poema Nº4

Azul + toques de amarelo e vermelho = suspiros
Amarelo = respeito + vermelho
Vermelho = orgulho
Cinza + rosa + branco = vitrine de chocolates
Cinza = chocolates estragados
Rosa = esperança
Branco = fim

Desistir é sempre uma má escolha?

Desistir de pedir um pão, de servir mais arroz, de vestir outra roupa, de correr atrás de alguém que gosta ... Algumas dessas escolhas podem ser banais, outras consomem horas e dão muita dor de cabeça a quem precisa fazê-las. 

As críticas são inevitáveis, surgem de todos os cantos. Aparece gente pra falar que é burrice, que já chegou muito longe e deve continuar, que vai dar com a cara no muro se mudar de rumo. A pressão só aumenta e fica cada vez mais difícil decidir.

Renunciar a algo nunca é simples, e se você está insatisfeito em algum aspecto e querendo mudança mas tem medo, pense:
1) Estou fazendo a minha vontade ou a de outro?
Ninguém é igual a ninguém. Seus pais podem querer uma coisa que você não quer pra sua vida; sua namorada pode tentar te manipular pra você se tornar o que ela quer; seu namorado pode te transformar em algo que você não era, por causa do temperamento dele.
2) Eu realmente quero isso pra mim? 
Essa é a sua vida. Não deixe que escolham por você. Pode se arrepender depois.

Claro que você também não vai largar tudo e sair à la loca, porque nem tudo é como queremos. Mas, podemos moldar da melhor forma possível.
Não tenha medo de trilhar novos caminhos, quem te ama de verdade sempre te apoiará. E lembre-se: faça o que gosta e será bem sucedido.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Terça de manhã

Quando eu me sinto só eu procuro um pedaço de papel
Um pedaço de mesa
Um canto pra rabiscar

Quando eu me sinto só eu tento tirar minhas tristezas pela ponta do lápis
Tento desenhar os monstros da minha mente
Prendê-los nesse universo branco

Quando eu me sinto só eu entro no meu mundo de histórias
Histórias que invento
Mundo que não existe

Quando eu me sinto só eu te procuro nas linhas e entrelinhas
Nas margens e espaços
No título e no texto

Mas quando eu me sinto só eu não te encontro na folha de papel amassada
Nem no papel de seda molhado
Te encontro no meu coração embriagado

Quando eu me sinto só sou só eu e eu só
A melancolia imersa em mim
Somos só eu e a solidão
Quando eu me sinto só